Payroll de maio surpreende com 172 mil postos, mas colapso de chips derruba Nasdaq 4,18% — Ibovespa acumula quinta sessão negativa e Real cede para R$ 5,16
O Ibovespa encerrou a quinta-feira, dia 5, em 169.019 pontos, acumulando cinco sessões negativas na semana e recuo de 2,74% em relação ao fechamento de 29 de maio. O dólar fechou a R$ 5,16, depreciação de 2% sobre o final de maio, pressionado pelo diferencial de juros comprimido entre Brasil e EUA, pelas incertezas fiscais domésticas e pela aversão ao risco global amplificada pelo setor de tecnologia. O COPOM se reúne em 16–17 de junho: o mercado projeta manutenção da Selic em 14,50% a.a., sem sinalização de direção, com o Boletim Focus projetando IPCA de 4,89–4,92% para 2026 — nona semana consecutiva de revisão para cima, acima do teto da meta de 4,5%. O IPCA de maio sai na sexta, 12 de junho, como último dado de inflação antes da decisão do Copom.
No exterior, o payroll de maio surpreendeu para cima: 172 mil postos criados contra consenso de 88 mil, com desemprego estável em 4,3% e salários desacelerando para 3,4% — dado favorável para a narrativa desinflacionária do Fed. Apesar disso, a semana foi marcada pelo colapso de semicondutores: a Broadcom decepcionou ao não elevar seu guidance de chips de IA, detonando vendas em cadeia no setor — Marvell caiu 16%, Micron 13%, Intel e AMD 11%. O S&P 500 recuou 1,66% na semana, para 7.353 pontos; a Nasdaq perdeu 4,18%, para 25.709 pontos — pior desempenho semanal desde abril de 2025. O Dow Jones, composto por ações de valor, atingiu máxima histórica no movimento de rotação. Em petróleo, o WTI e o Brent fecharam em torno de US$ 93/barril, recuando 2% na sessão de sexta, com o prêmio geopolítico das negociações Irã–EUA parcialmente precificado.
Highlights da semana. A dinâmica da semana foi de bifurcação: nos EUA, o mercado de trabalho mantém resiliência (payroll +172k), mas o capital saiu de crescimento para valor, gerando a pior semana da Nasdaq em mais de um ano. No Brasil, o Ibovespa cedeu terreno pela quinta sessão seguida; o real depreciou para R$ 5,16, com o diferencial de juros Brasil–EUA comprimido e as incertezas domésticas pesando. Para a próxima semana, o CPI americano de maio (10/jun) e o IPCA brasileiro de maio (12/jun) são os dois dados que condicionarão a postura dos BCs antes das reuniões de junho — FOMC em 17–18/jun e Copom em 16–17/jun.